Solidariedade

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Foto: Blog "tododiaumtextonovo"

terça-feira, 5 de maio de 2009

Jovem que usou jaqueta para salvar operários volta ao trabalho

Mulher de 31 anos relembrou momentos de tensão nesta terça (5).Ela falou sobre episódio ao lado de dois amigos que ajudaram no resgate

Patrícia Araújo Do G1, em São Paulo 05/05/09 - 12h06


Com a mesma jaqueta usada para puxar um dos dois trabalhadores que limpavam os vidros do prédio e ficaram presos em um andaime durante o vendaval na tarde da segunda-feira (4), na Zona Sul de São Paulo, a tesoureira Carla Pagano, de 31 anos, foi trabalhar na manhã desta terça (5) no escritório situado no sétimo andar do prédio de número 95 da Rua James Joule, no Brooklin.

Ao lado dos dois colegas que ajudaram no salvamento dos limpadores, ela falou sobre o episódio vivido no dia anterior. “O céu ficou preto e quando olhamos para o lado tinham umas rajadas, que depois eu vi na TV que eram ventos, e o andaime começou a balançar muito. Foi assustador. Ele ia até o oitavo andar, até a rua e voltava. Os rapazes estavam voando feito um pêndulo”, disse.

Foi quando, segundo o especialista em redes, Marcos Viana, 38 anos, que também ajudou no socorro, eles decidiram fazer algo. “Aí a gente disse: ‘olha, temos que fazer alguma coisa. Vamos ligar para os bombeiros’”, afirma. Mas, após ligar para o salvamento, eles perceberam que tinham que agir logo, antes da chegada de especialistas, ou poderia ocorrer o pior. Carla conta que se aproximou da janela e viu que os trabalhadores estavam perto e poderia tentar puxá-los. Uma amiga teria lembrado da jaqueta que ela tinha deixado pendurada na cadeira. Foi por uma abertura de cerca de 20 cm da janela da empresa de tecnologia que a tesoureira conseguiu passar o braço e jogar a jaqueta, que o limpador Wando Jacinto Barros, de 19 anos, segurou. Nesta manhã, o braço esquerdo, usado no salvamento, estava roxo. “Mas foi por um bom motivo”, falava orgulhosa. "Depois que eu segurei, eu falei: 'vocês não vão mais soltar de mim. Não precisam se preocupar, eu não vou soltar vocês'".Foi neste ponto que, segundo Viana, ele, Carla e o gerente de impostos Fábio Missola, de 36 anos, perceberam que o salvamento seria ainda mais difícil. “O trava-quedas [equipamento de segurança usado por trabalhadores nesse tipo de serviço] de um dos rapazes passou embaixo do andaime. Então, quando a gente, pela janela, pediu para ele passar as cordas do trava-quedas que a gente ia segurar - pelo menos se o carrinho caísse, eles não caíam – percebemos que a corda tinha passado por baixo do andaime e estava presa. Aí, a gente ficou segurando o andaime e o rapaz”, lembrou Viana. O trio lembra que o salvamento não foi mérito apenas dos três. Toda a empresa ajudou no resgate segurando o andaime e empurrando os móveis do lugar para ter espaço para o resgate. “A gente entendia que aquilo ali não era um filme. Se eles caíssem, não ia ser como em um filme. Então a gente realmente precisava segurar eles ali [sic]”, falou Viana.
Vidro removido

A partir daí, o grupo tentou abrir a janela. Um outro funcionário da empresa achou uma chave de fenda e desparafusou o vidro. Com o espaço aberto, o grupo conseguiu puxar os limpadores para dentro do prédio.

Para Viana, o resgate só foi possível porque os trabalhadores estavam bem equipados. “Ainda bem que eles estavam paramentados. Os equipamentos que eles estavam usando devem ser todos dentro da norma. Porque se tivesse qualquer cabo fora de ordem, ele teria estourado e aí tinha acontecido uma tragédia.” No dia seguinte ao salvamento, a sensação para o trio era de alívio e alegria. “Você está sempre querendo ajudar alguém, ainda mais nesse Brasil nosso que tem um monte de gente precisando ser ajudada. E acho que o que a gente fez foi isso, ajudou a salvar efetivamente duas vidas (...) Acho que todo mundo que ajudou está super feliz com tudo isso”, disse Viana.


Carla Pagano mostra jaqueta usada para resgatar trabalhador de andaime na Zona Sul de São Paulo (Foto: Patricia Araújo/G1)

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